OS DESAFIOS E AS POSSIBILIDADES DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO BRASIL




INTRODUÇÃO

As discussões sobre EAD no Brasil têm se tornado frequente e fundamental nos últimos anos, isso se deve ao “novo universo” em que vivemos, causa dos avanços tecnológicos e a necessidade de um modelo de educação mais democrático. Grande tem sido a evolução da EAD na sua trajetória, mas ao pensarmos nos caminhos que ela ainda tem há percorrer verificamos a necessidade dessas reflexões sobre o futuro da EAD no Brasil e o nosso papel nesse contexto.
O presente trabalho tem por objetivo levantar alguns pontos sobre os desafios encontrados pela Educação à Distância em nosso país e suas possíveis causas e algumas reflexões sobre as possibilidades nos rumos que a educação poderá tomar, levando em consideração a sociedade em que vivemos: cada vez mais interconectada pelas redes de tecnologia digital.



OS DESAFIOS ENFRENTADOS PELA EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA NO BRASIL

Muitos têm sido os desafios enfrentados pela EAD no Brasil desde a sua primeira forma: o ensino por correspondência. Mesmo com a atualização dos recursos utilizados na mediação didático pedagógica e o avanço da EAD é possível listar vários desses desafios e os motivos que levam a essas barreiras.
O nome “Ensino à Distância” e a ausência física de um professor leva quem ainda não se convenceu dessa ser uma modalidade efetiva a acreditar que seja um estilo frio de educação, sem interatividade, desestimulando o aluno e empobrecendo o sistema educacional.
Para isso podemos citar o Decreto 5622/2005 que deixa claro a necessidade de professores envolvendo a prática pedagógica. Ele caracteriza a educação à distância (Art. 1):
Como modalidade educacional na qual a mediação didático pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos.
Enganamos-nos ao pensar que essa resistência à EAD e aos seus meios acontece somente por parte dos discentes. Muitos professores ainda estão presos ao tradicionalismo, outros acreditam serem trocados pelas tecnologias, falta qualificação na sua formação.
Conforme citam Brito e Purificação (2014, p 50):
é necessário que o professor entenda a tecnologia como um instrumento de intervenção na construção da sociedade democrática que se contrapõe a qualquer tendência que direcione ao tecnicismo, à coisificação do saber e do ser humano.
Há também grupos que já conhecem e entendem a educação a distância, porém passaram a dar mais foco aos recursos do que à mediação didático pedagógica, supervalorizando assim as tecnologias e com isso deixando de lado outros meios e recursos utilizados também pela EAD e superficializando as relações sociais e humanas.
O grande desafio para a EAD está em conseguir caminhar por essa linha tênue entre a resistência desse “novo” modelo de ensino e seus meios e à superficialidade das informações que não se pode controlar nesse imenso universo das tecnologias.
É preciso quebrar o tabu da organização fitada em quadros de giz e salas de aula e abrir os olhos para a perspectiva de um sistema de ensino menos conteudista e mais metodológico, mais interativo e articulador de conhecimento.

NOVAS POSSIBILIDADES NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO BRASIL

Por conta dos avanços tecnológicos, as discussões em torno da EAD têm ganhado espaço nos últimos anos. Começamos pelas definições do MEC através da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96 que exige que pelo menos um terço do corpo docente das instituições de ensino superior tenha titulação acadêmica de mestrado ou doutorado (Art. 52, item II) e exige formação em nível superior para os docentes que atuam na educação básica (Art. 62), o que vem provocando o crescimento na oferta dessa modalidade de ensino, visto que é impossível atender toda a demanda apenas na modalidade presencial.
 Vivemos numa sociedade onde é impossível todos se encaixarem nas ofertas presenciais. Isso ocorre devido à falta de tempo, responsabilidades domésticas, distância que impossibilita o aluno e até mesmo a questão financeira. E a EAD entra nesse contexto para democratizar a educação, diminuindo a desigualdade social, dando maiores oportunidades de aprender em qualquer tempo e qualquer lugar e atendendo a interesses específicos.
Com o uso dos meios midiáticos oferecidos pela educação à distância, do ponto de vista técnico, percebemos uma capacidade igual ou superior à presencial no que diz respeito à conectividade e interação. Podemos transferir com facilidade e em tempo real uma infinidade de arquivos, trocar informações, realizar pesquisas e outras formas de interação de qualquer parte do mundo, o que caracteriza a interatividade, princípio indispensável para a EAD, pois conforme cita PALLOFF, 2002, p.71:
Uma comunidade de aprendizagem on-line é muito mais que apenas um instrutor interagindo mais com alunos e alunos interagindo mais entre si. É, na verdade, a criação de um espaço no qual alunos e docentes podem se conectar como iguais em um processo de aprendizagem, onde podem se conectar como seres humanos. Logo eles passam a se conhecer e a sentir que estão juntos em alguma coisa. Eles estão trabalhando com um fim comum, juntos”
Há quem se assuste com todo o avanço tecnológico dos últimos anos, mas muitas inovações e aperfeiçoamentos devem ser esperados, trazendo ainda mais novas possibilidades, de acordo com previsões das ciências cognitivas.
Devemos levar em consideração que todo o processo de transformação está interligado a questões técnicas e sociopolíticas, portanto, não há certezas sobre os rumos a serem tomados pelo avanço tecnológico, é a prática coletiva de todos os envolvidos nesse processo que determinará os caminhos a serem trilhados no futuro.



CONSIDERAÇÕES FINAIS

Concluindo, digo que este texto não é conclusivo. Pretendo com ele estimular novas reflexões a partir dos pontos aqui citados. Há muitos obstáculos a serem vencidos e também muitos campos a serem explorados. A reflexão é de extrema importância para as possibilidades atuais e concretas quanto para as futuras, principalmente por parte de nós educadores, que temos um papel significativo nesse contexto. A transformação é constante.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Lei nº 9394, de 19/12/2005. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial. Brasília, 2005.
BRITO, Glaucia da Silva; PURIFICAÇÃO, Ivonélia da. Educação e Novas Tecnologias: um (re)pensar. Curitiba, Ed. Intersaberes, 2012.
CORTELAZZO, Iolanda Bueno de Camargo. Prática Pedagógica, aprendizagem e avaliação em educação à distância. Curitiba. Ed. Intersaberes. 2013.
FRAWLEY, William. Vygotsky e a ciência cognitiva. Porto Alegre: Artmed, 2000.
LEMGRUBER, Marcio Silveira. Educação a Distância: para além dos caixas eletrônicos. Disponível em www. portal.mec.gov.br/arquivos/conferencia/documentos/marcio_lemgruber.pdf. (Acesso em: 25, Março, 2015).
PALLOF, Rena M. Construindo Comunidades de Aprendizagem no Ciberespaço. Porto Alegre. Ed Artmed, 2002.


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