INTRODUÇÃO
As
discussões sobre EAD no Brasil têm se tornado frequente e fundamental nos
últimos anos, isso se deve ao “novo universo” em que vivemos, causa dos avanços
tecnológicos e a necessidade de um modelo de educação mais democrático. Grande
tem sido a evolução da EAD na sua trajetória, mas ao pensarmos nos caminhos que
ela ainda tem há percorrer verificamos a necessidade dessas reflexões sobre o
futuro da EAD no Brasil e o nosso papel nesse contexto.
O
presente trabalho tem por objetivo levantar alguns pontos sobre os desafios
encontrados pela Educação à Distância em nosso país e suas possíveis causas e
algumas reflexões sobre as possibilidades nos rumos que a educação poderá tomar,
levando em consideração a sociedade em que vivemos: cada vez mais
interconectada pelas redes de tecnologia digital.
OS
DESAFIOS ENFRENTADOS PELA EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA NO BRASIL
Muitos
têm sido os desafios enfrentados pela EAD no Brasil desde a sua primeira forma:
o ensino por correspondência. Mesmo com a atualização dos recursos utilizados
na mediação didático pedagógica e o avanço da EAD é possível listar vários
desses desafios e os motivos que levam a essas barreiras.
O
nome “Ensino à Distância” e a ausência física de um professor leva quem ainda
não se convenceu dessa ser uma modalidade efetiva a acreditar que seja um
estilo frio de educação, sem interatividade, desestimulando o aluno e
empobrecendo o sistema educacional.
Como modalidade educacional
na qual a mediação didático pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem
ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com
estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou
tempos diversos.
Enganamos-nos
ao pensar que essa resistência à EAD e aos seus meios acontece somente por
parte dos discentes. Muitos professores ainda estão presos ao tradicionalismo,
outros acreditam serem trocados pelas tecnologias, falta qualificação na sua
formação.
Conforme
citam Brito e Purificação (2014, p 50):
é necessário que o professor entenda a
tecnologia como um instrumento de intervenção na construção da sociedade
democrática que se contrapõe a qualquer tendência que direcione ao tecnicismo,
à coisificação do saber e do ser humano.
Há
também grupos que já conhecem e entendem a educação a distância, porém passaram
a dar mais foco aos recursos do que à mediação didático pedagógica,
supervalorizando assim as tecnologias e com isso deixando de lado outros meios
e recursos utilizados também pela EAD e superficializando as relações sociais e
humanas.
O
grande desafio para a EAD está em conseguir caminhar por essa linha tênue entre
a resistência desse “novo” modelo de ensino e seus meios e à superficialidade
das informações que não se pode controlar nesse imenso universo das
tecnologias.
É
preciso quebrar o tabu da organização fitada em quadros de giz e salas de aula
e abrir os olhos para a perspectiva de um sistema de ensino menos conteudista e
mais metodológico, mais interativo e articulador de conhecimento.
NOVAS
POSSIBILIDADES NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO BRASIL
Por
conta dos avanços tecnológicos, as discussões em torno da EAD têm ganhado
espaço nos últimos anos. Começamos pelas definições do MEC através da Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96 que exige que pelo menos um terço do corpo docente das
instituições de ensino superior tenha titulação acadêmica de mestrado ou
doutorado (Art. 52, item II) e exige formação em nível superior para os
docentes que atuam na educação básica (Art. 62), o que vem provocando o
crescimento na oferta dessa modalidade de ensino, visto que é impossível
atender toda a demanda apenas na modalidade presencial.
Vivemos numa sociedade onde é impossível todos
se encaixarem nas ofertas presenciais. Isso ocorre devido à falta de tempo,
responsabilidades domésticas, distância que impossibilita o aluno e até mesmo a
questão financeira. E a EAD entra nesse contexto para democratizar a educação,
diminuindo a desigualdade social, dando maiores oportunidades de aprender em
qualquer tempo e qualquer lugar e atendendo a interesses específicos.
Com
o uso dos meios midiáticos oferecidos pela educação à distância, do ponto de
vista técnico, percebemos uma capacidade igual ou superior à presencial no que
diz respeito à conectividade e interação. Podemos transferir com facilidade e
em tempo real uma infinidade de arquivos, trocar informações, realizar pesquisas
e outras formas de interação de qualquer parte do mundo, o que caracteriza a
interatividade, princípio indispensável para a EAD, pois conforme cita PALLOFF, 2002, p.71:
“Uma comunidade de aprendizagem on-line é muito mais que apenas um
instrutor interagindo mais com alunos e alunos interagindo mais entre si. É, na
verdade, a criação de um espaço no qual alunos e docentes podem se conectar
como iguais em um processo de aprendizagem, onde podem se conectar como seres
humanos. Logo eles passam a se conhecer e a sentir que estão juntos em alguma
coisa. Eles estão trabalhando com um fim comum, juntos”
Há
quem se assuste com todo o avanço tecnológico dos últimos anos, mas muitas
inovações e aperfeiçoamentos devem ser esperados, trazendo ainda mais novas
possibilidades, de acordo com previsões das
ciências cognitivas.
Devemos levar em consideração que todo o processo de transformação
está interligado a questões técnicas e sociopolíticas, portanto, não há
certezas sobre os rumos a serem tomados pelo avanço tecnológico, é a prática
coletiva de todos os envolvidos nesse processo que determinará os caminhos a
serem trilhados no futuro.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Concluindo,
digo que este texto não é conclusivo. Pretendo com ele estimular novas
reflexões a partir dos pontos aqui citados. Há muitos obstáculos a serem
vencidos e também muitos campos a serem explorados. A reflexão é de extrema
importância para as possibilidades atuais e concretas quanto para as futuras,
principalmente por parte de nós educadores, que temos um papel significativo
nesse contexto. A transformação é constante.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL.
Lei nº 9394, de 19/12/2005. Estabelece
as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial. Brasília, 2005.
BRITO,
Glaucia da Silva; PURIFICAÇÃO, Ivonélia da. Educação e Novas Tecnologias: um (re)pensar. Curitiba, Ed. Intersaberes,
2012.
CORTELAZZO,
Iolanda Bueno de Camargo. Prática
Pedagógica, aprendizagem e avaliação em educação à distância. Curitiba. Ed.
Intersaberes. 2013.
FRAWLEY,
William. Vygotsky e a ciência cognitiva.
Porto Alegre: Artmed, 2000.
LEMGRUBER,
Marcio Silveira. Educação a Distância:
para além dos caixas eletrônicos. Disponível em www.
portal.mec.gov.br/arquivos/conferencia/documentos/marcio_lemgruber.pdf. (Acesso
em: 25, Março, 2015).
PALLOF,
Rena M. Construindo Comunidades de Aprendizagem
no Ciberespaço. Porto Alegre. Ed Artmed, 2002.
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